quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Petróleo no paraíso

Abrolhos, um ecossistema em cima de um poço de petróleo

site original desta imagem

A Petrobras e outras empresas prospectoras descobriram petrõleo na região do Arquipélago de Abrolhos.

Abrolhos pertence ao estado da Bahia, um estado cujo litoral é rico em petróleo.

Só que essa descoberta resultou numa questão ecológica: pode-se instalar plataformas de petróleo há 50 km dos corais e da imensa vida marinha existente em Abrolhos? Isso é ético? Qual o perigo de ocorrer um vazamento de petróleo numa dessas plataformas?

A Petrobras tem mantido uma distância do arquipélago igual a 50 km de raio, o que dá um espaço de 2500 km2, conforme determina a lei. O Greenpeace quer que essa distância aumente para um raio de 300 km, totalizando uma área de proteção de 93.000 km2. Essa proposta é baseada em "estudos", dizem os dirigentes do Greenpeace.

Aqui, parte dos argumentos do Greenpeace - íntegra aqui - sobre a questão:


...a posição da Petrobras pode ser vista como um começo, porém aquém do necessário. A área de 93 mil quilômetros quadrados proposta pelo Greenpeace foi determinada por estudos científicos para evitar que acidentes de qualquer tipo contaminem a biodiversidade de Abrolhos.
A moratória afeta treze blocos de exploração de petróleo atualmente sob concessão. A Petrobras é a empresa com mais operações na região, atuando em sete blocos.

A resposta da Petrobras - íntegra no blog - foi:
A Petrobras não tem qualquer atividade ligada à busca por petróleo no raio de 50 quilômetros, que define os limites legais da área de proteção ambiental do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. As concessões exploratórias citadas estão fora da área de restrição legal do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. O campo de Peroá, o mais próximo do Parque de Abrolhos, no litoral do Espírito Santo, está localizado a 165 quilômetros do seu limite. E o de Camarupim, também na costa do Espírito Santo, localiza-se a 216 quilômetros do Parque de Abrolhos. Ambos são campos de produção de gás.
Este blog é radicalmente a favor da preservação do meio-ambiente. Vamos seguir acompanhando este caso, mostrando os argumentos de todos, para chegarmos a uma conclusão.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A energia que vem do lixo

O problema do lixo pode virar solução



Há uma frase do ambientalista Al Gore que ficou famosa: "Acho que existem coisas que eles não estão nos contando".

Essa frase cai como uma luva, por exemplo, na questão do lixo.Todos os dias produzimos milhares, milhões, bilhões de toneladas de lixo. Mas, como num passe de mágica, ele é tirado de nossas vistas. Colocamos os sacos de lixo na calçada e ele desaparece para sempre.

Mas não há mágica. Os chamados lixões são um câncer, no Brasil e no mundo. O problema se agrava cada vez mais. O que "eles não estão nos contando" é que a situação é insustentável. Estamos acumulando lixo numa velocidade gigantesca, muito maior do que a decomposição natural desse lixo. Os plásticos levam dezenas ou centenas de anos para se decompor. Nós os produzimos às toneladas por minuto.

Recentemente, em São Paulo, os consumidores descobriram que o Shopping Center Norte havia sido construído num antigo lixão. Resultado: o vazamento de gás metano, vindo dos subterrâneos, provocou a interdição do Shopping por alguns dias, até que a direção do estabelecimento se comprometesse a instalar um sistema de escoamento seguro desse gás.

No Rio de Janeiro, favelas são construídas sobre lixões aterrados. O resultado é trágico, com desmoronamentos nos períodos de chuva. O poder público jamais poderia permitir isso. Aliás, o poder público (estadual e federal) tem obrigação de prover moradia digna a todos os cidadãos.

Caminhamos para transformar o planeta num grande lixão? Talvez não, se adotarmos estratégias inteligentes. Podemos transformar o problema em solução. O lixo tem um enorme potencial energético. 

- Solução 1 - No Rio de Janeiro, Henrique Saraiva fundou a empresa Usinaverde, que se instalou (em regime de comodato) num terreno da Universidade Federal Fluminense. Junto com antigos colegas engenheiros do Centro de Pesquisas da Petrobrás - Cenpes , e com a participação da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro - Comlurb, que entrega cerca de 30 toneladas de lixo por dia, para ser queimado e transformado em energia elétrica.

- Solução 2 - O gás metano é uma energia poderosa. Mesmo sem a queima do lixo, os resíduos orgânicos produzem uma quantidade de metano que, no caso do Shopping Center Norte, representou perigo de explosão. Mas adequadamente canalizado, ele gera uma quantidade enorme de eletricidade. Mas também pode ser canalizado para fogões de cozinha e usado para cozinhar, sem nenhum problema.

Uma questão importante é que a coleta seletiva, ou seja, a separação entre o lixo orgânico e o lixo reciclável, permite maior viabilidade das usinas de aproveitamento energético.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de biocombustíveis. Que tal avançarmos mais também na produção de bioeletricidade e biogás?