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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Biogás - o problema vira solução

site original da imagem aqui
Existem muitos problemas a serem resolvidos no nosso modo de vida urbano. Citamos aqui dois deles:

- a produção diária de lixo pela população - Em nosso país, não há estatísticas exatas da quantidade de lixo produzida pelos aglomerados urbanos, mas acredita-se que esteja entre 1 a 2 kg por residência, por dia.(1). Os lixões, em muitas partes do Brasil, já estão a se esgotar. Nas capitais, esse processo está em ritmo acelerado, colocando às prefeituras e governos estaduais questões de saúde pública.

- a necessidade de fornecer eletricidade a mais e mais famílias - Este é outro desafio. O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, baseada na geração hidrelétrica. Usinas como a de Belo Monte, embora sejam alvo de uma campanha por parte de ONGs dos EUA e Europa (regiões que usam a geração a carvão como matriz!!) são a opção mais viável. Mas o Brasil começa, também a utilizar outras formas de geração.

O lixo orgânico contém um alto potencial de geração de calor. Em certas condições, ele se transforma num verdadeiro biocombustível, fazendo funcionar usinas que geram eletricidade, biogás e... fertilizante agrícola!!

Dessa forma, dois problemas somados resultam em... soluções!

Recentemente, um shopping em São Paulo teve que ser evacuado porque, tendo sido construído sobre um lixão (!!), o prédio estava sendo invadido por gás metano, altamente inflamável, com risco de explosão. O problema foi resolvido com instalação de tubulações que direcionam esse gás para a atmosfera. Ora, o gás metano produz o chamado efeito-estufa, causador de aquecimento global. Aliás, o gás metano é ainda pior do que o CO2 como causador de aquecimento global. Ao invés de a prefeitura ter autorizado a construção do shopping, deveria ter construído uma usina de produção de biogás e eletricidade no local.

A produção de energia a partir do lixo exige algumas condições. Primeiro, mudança de hábitos: a população tem que separar o que é lixo orgânico (cascas de legumes, restos de comida, etc) do que é reciclável (plásticos, papel, vidro e metal). Esse lixo orgânico sofre processos químicos pela ação de bactérias, em enormes recipientes conhecidos como biodigestores. Desse processo resulta o biogás, que é então usado para produzir eletricidade, alimentar fornos em empresas ou até para mover veículos!!

Em pequenas cidades, pode ser uma solução para iluminar praças públicas, por exemplo. Ou para abastecer, com biogás, os veículos municipais.

Cada vez mais, essas soluções terão que ser adotadas, pois manter lixões sendo continuamente alimentados com toneladas de lixo, não é sustentável.

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(1) É uma quantidade ainda baixa. Nos EUA, por exemplo, onde os hábitos de consumo não são os mais adequados ao planeta, produz-se muito mais, da ordem de 3 a 5 kg por pessoa por dia. Agora, com a crise, talvez eles estejam sendo forçados a repensar esse modo de vida...


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A energia que vem do lixo

O problema do lixo pode virar solução



Há uma frase do ambientalista Al Gore que ficou famosa: "Acho que existem coisas que eles não estão nos contando".

Essa frase cai como uma luva, por exemplo, na questão do lixo.Todos os dias produzimos milhares, milhões, bilhões de toneladas de lixo. Mas, como num passe de mágica, ele é tirado de nossas vistas. Colocamos os sacos de lixo na calçada e ele desaparece para sempre.

Mas não há mágica. Os chamados lixões são um câncer, no Brasil e no mundo. O problema se agrava cada vez mais. O que "eles não estão nos contando" é que a situação é insustentável. Estamos acumulando lixo numa velocidade gigantesca, muito maior do que a decomposição natural desse lixo. Os plásticos levam dezenas ou centenas de anos para se decompor. Nós os produzimos às toneladas por minuto.

Recentemente, em São Paulo, os consumidores descobriram que o Shopping Center Norte havia sido construído num antigo lixão. Resultado: o vazamento de gás metano, vindo dos subterrâneos, provocou a interdição do Shopping por alguns dias, até que a direção do estabelecimento se comprometesse a instalar um sistema de escoamento seguro desse gás.

No Rio de Janeiro, favelas são construídas sobre lixões aterrados. O resultado é trágico, com desmoronamentos nos períodos de chuva. O poder público jamais poderia permitir isso. Aliás, o poder público (estadual e federal) tem obrigação de prover moradia digna a todos os cidadãos.

Caminhamos para transformar o planeta num grande lixão? Talvez não, se adotarmos estratégias inteligentes. Podemos transformar o problema em solução. O lixo tem um enorme potencial energético. 

- Solução 1 - No Rio de Janeiro, Henrique Saraiva fundou a empresa Usinaverde, que se instalou (em regime de comodato) num terreno da Universidade Federal Fluminense. Junto com antigos colegas engenheiros do Centro de Pesquisas da Petrobrás - Cenpes , e com a participação da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro - Comlurb, que entrega cerca de 30 toneladas de lixo por dia, para ser queimado e transformado em energia elétrica.

- Solução 2 - O gás metano é uma energia poderosa. Mesmo sem a queima do lixo, os resíduos orgânicos produzem uma quantidade de metano que, no caso do Shopping Center Norte, representou perigo de explosão. Mas adequadamente canalizado, ele gera uma quantidade enorme de eletricidade. Mas também pode ser canalizado para fogões de cozinha e usado para cozinhar, sem nenhum problema.

Uma questão importante é que a coleta seletiva, ou seja, a separação entre o lixo orgânico e o lixo reciclável, permite maior viabilidade das usinas de aproveitamento energético.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de biocombustíveis. Que tal avançarmos mais também na produção de bioeletricidade e biogás?